Bioeconomia e bioinsumos: a ciência do futuro está aqui!​

O conceito de bioeconomia ainda é um tema de debate. A opção mais amplamente aceita defende a ideia de que se trata de um modelo econômico baseado no uso e conservação de recursos biológicos para a produção e conversão em soluções que possam ser utilizadas nas mais diversas atividades que permeiam a sociedade. 
Além disso, esse termo contém grandes expectativas em cima do seu potencial para liderar o caminho do desenvolvimento sustentável, por abordar a necessidade de transição cada vez maior para insumos renováveis de fontes biológicas nos processos produtivos​. O modelo produtivo da bioeconomia propõe a manutenção da infraestrutura natural do ambiente para viabilizar o processo econômico de maneira constante no atual e contínuo contexto de crescimento da população mundial​, em virtude de oferecer inovações tecnológicas que auxiliam no equilíbrio do ecossistema, possibilitando extrair benefícios da natureza, de forma responsável, sem esgotá-la​, e prezando pela reposição natural. 
A transformação para uma economia circular e de baixo carbono, com soluções baseadas em bioinovação, tem todas as características para suprir a demanda do uso de recursos naturais, energéticos e de terra, que o futuro exige. É notável ressaltar que a bioeconomia pode ser parte da solução para os grandes desafios do século 21, baseando-se em princípios de sustentabilidade, renovabilidade, circularidade e de consumo responsável, ascendendo uma sociedade mais ética, próspera e preocupada com o meio-ambiente, para que possamos viver em harmonia com a natureza.
A bioeconomia visa, em seu cerne, lançar um novo paradigma econômico sustentável que impulsione a criação ou o desenvolvimento de cadeias de valor inovadoras, ao mesmo tempo em que protege o meio-ambiente. Com isso em vista, avanços em ciências biológicas, objetivos para mitigação de mudanças climáticas, desenvolvimento rural e melhor aproveitamento da biodiversidade são importantes fatores para que esse modelo possa ser colocado em prática.

A bioeconomia no agronegócio

Os bioinsumos, por sua vez, estão contemplados em todos esses aspectos! O conjunto de componentes vivos, comunidades e microrganismos multifuncionais são extremamente importantes para a saúde do ecossistema e impactam diretamente em resultados. A interação entre a microbiota e o sistema de produção promove serviços essenciais como a nutrição, a reestruturação física do solo e a redução de doenças, que possuem efeito crescente no aumento da produtividade, além de possibilitar a redução no uso de fertilizantes sintéticos, resistência a patógenos, dentre outros.
A obtenção de conhecimento atrelado a pesquisas científicas no setor dos biológicos está intimamente ligada ao desenvolvimento de novas tecnologias que têm o potencial de auxiliar o manejo agrícola – ou de diversos outros setores – para que as atividades sejam otimizadas em termos de produção e proteção, adicionando eficiência ao sistema como um todo e assim, consequentemente, o tornando mais sustentável por meio da capacidade de regeneração daquilo que já foi consumido. 
No âmbito das cadeias do agronegócio, a bioeconomia é um modelo de grande valor, dado às múltiplas possibilidades de integração entre atividades produtivas, a geração de coprodutos, o reaproveitamento de recursos e, principalmente, o uso de recursos naturais – como os biológicos – para viabilizar a produção de alimentos, bioenergia e outros agroprodutos, ao passo em que se reduz o uso de recursos finitos e/ou naturais. Nem precisamos dizer o quanto os bioinsumos contribuem neste processo!

O texto Bioeconomia e bioinsumos: a ciência do futuro está aqui! foi escrito por:
Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da EAESP/FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio.  
Vinícius Cambaúva é associado na Markestrat Group, formado em Engenharia Agronômica pela FCAV/UNESP e aluno de mestrado na FEA/USP em Ribeirão Preto – SP. 
Beatriz Papa Casagrande é consultora na Markestrat Group, graduada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP e aluna de mestrado na FEA/USP em Ribeirão Preto – SP. 

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