Por que trabalhar com bioinsumos?


Trabalhar com bioinsumos é a opção de um número crescente de agricultores. Mas o que estaria impulsionando o interesse por esse tipo de produto? Afinal, eles já estão em uso há muito tempo – com efeito, compõem a gênese da atividade de cultivo da terra. Portanto, por que a alavancagem nesse momento?
Decerto, a intensificação dos investimentos em pesquisas na área tem uma forte relação com isso. Realmente, é inegável que nosso conhecimento sobre os insumos biológicos se ampliou bastante nos últimos anos.

Lições para trabalhar com bioinsumos

Antes de tudo, bioinsumos, como o nome diz, são insumos produzidos a partir de matéria orgânica, eventualmente, viva.
Sendo compostos por microrganismos, materiais vegetais, orgânicos ou naturais, eles acabam agindo de maneira mais harmônica com a plantação. De fato, sua ação não é diferente das dinâmicas que já existem na natureza – aliás, aí está o ponto de partida do desenvolvimento desse tipo de produto.
Para criá-los, os pesquisadores consideram as relações ecológicas presentes no ecossistema. Em outras palavras, observam como os elementos em questão se comportam em dadas circunstâncias e, dessa forma, chegam a soluções sustentáveis para lidar com desafios comuns na agricultura.
Trabalhar com bioinsumos, portanto, significa adotar um modo de cultivo ecologicamente amigável, mesmo quando a prática se dá em associação com insumos químicos. As vantagens de tal opção vão além do interesse em soluções sustentáveis, sendo apoiada por melhora na produtividade e na satisfação do cliente final. 

O que os números dizem sobre trabalhar com bioinsumos

Seja a partir da constatação prática ou de resultados de pesquisas, o fato é que os dados indicam que trabalhar com bioinsumos é altamente promissor. Não à toa, uma pesquisa da Embrapa aponta que cerca de 95% dos agricultores acreditam no crescimento do mercado de produtos biológicos, tal confiança é creditada, principalmente, a sua contribuição para a sustentabilidade, produtividade e economia.
Outras fontes revelam que, na safra 2020/2021, o mercado de bioinsumos registrou uma alta de 46% em relação ao volume comercializado na safra anterior.  Andando um pouco mais para trás, a Spark Inteligência Estratégica constatou que, entre as safras 2018/2019 e 2020/2021, o mercado de insumos biológicos cresceu 40% ao ano.
Sem dúvida, são números surpreendentes, contudo, estão longe de sintetizar os motivos para o crescente interesse dos agricultores por trabalhar com bioinsumos.

Benefícios de trabalhar com bioinsumos

Geralmente, quando um produto recebe uma adesão tão consistente, a justificativa não se resume a números. Ao contrário, eles nada mais são que consequência de um mix de necessidades de mercado atendidas. 
Para quem já começou a trabalhar com bioinsumos há algum tempo, é possível identificar vantagens particulares, já que, quando optamos por esse tipo de produto, podemos criar composições praticamente customizadas para fins específicos. Mas, mesmo quando olhamos para os biológicos de forma ampla, podemos identificar uma série de vantagens que atendem agricultores de maneira geral, e elas vão de segurança a questões econômicas.

Custo

As vantagens econômicas de trabalhar como bioinsumos se desenham a partir de vários elementos da composição de custos de uma lavoura: 
menor custo de produção: a vantagem financeira dos bioinsumos aparecem antes mesmo do produto chegar às prateleiras, pois seu desenvolvimento é muito mais barato que o de um químico, o que se reflete no preço final.
redução dos custos em moedas internacionais: muitos dos fertilizantes e defensivos químicos usados no Brasil são importados, ou seja, variam de acordo com o câmbio, principalmente, do dólar. No caso dos insumos biológicos, em contrapartida, temos excelentes opções com produção nacional. Assim, mesmo sem abrir mão dos químicos, o produtor consegue reduzir significativamente o consumo de insumos importados em um programa de aplicação associada.
ganhos com ação indireta: às vezes, ao trabalhar com bioinsumos para sanar um problema identifica-se um reflexo positivo em outro. Um produto para biocontrole de um patógeno, por exemplo, pode melhorar a nutrição da planta. Só para ilustrar de maneira mais específica, veja o que acontece no uso de inoculantes, um bioinsumo que usa bactérias para ajudar na fixação de nitrogênio. 
Acontece que a muitas dessas bactérias têm a capacidade de produzir hormônios de crescimento das plantas, substâncias que acabam por estimular o aumento da densidade de pelos radiculares, da taxa de aparecimento de raízes secundárias e da superfície radicular,  melhorando, assim, a absorção de nutrientes e de água. Diante dessa reação em cadeia, a planta é beneficiada com maior capacidade produtiva, além de mais resistência a desafios ambientais.

Segurança e saúde

Por serem produzidos com microrganismos, materiais vegetais, orgânicos ou naturais, os insumos biológicos são biodegradáveis. Isso se traduz numa significativa queda nos riscos da atividade agrícola. 
Além da questão do meio ambiente, trabalhar com bioinsumos traz avanços para a segurança do agricultor e do consumidor. Afinal, trata-se de um tipo de produto com baixíssima toxicidade, cujos resíduos não trazem prejuízos ao solo, aos alimentos ou à saúde de quem os consome.

Equilíbrio ambiental

Trabalhar com bioinsumos, com certeza, é uma forma de contribuir com o meio ambiente, afinal os impactos são muito menores quando aplicamos produtos naturais à terra. Nesse caso, ainda temos a vantagem de produtos em que parte considerável do desenvolvimento leva em conta a relação que os elementos envolvidos têm entre si e com o ecossistema. 
Desse modo, eles usam as dinâmicas da natureza de maneira estratégica a fim de preservá-la, fazendo com que, por exemplo, o carbono gerado na produção agrícola não se perca, indo para a atmosfera. Da mesma forma, vários dos resíduos gerados na produção acabam sendo consumidos pelos microrganismos presentes no agroecossistema. 
A redução no consumo de água é outra consequência que observamos ao trabalhar com bioinsumos. Como eles contribuem com a estruturação do solo, melhorando a saúde da biota e a nutrição das plantas, as raízes se fixam e se desenvolvem de um modo que contribui com o aproveitamento tanto da água como dos nutrientes da terra. De novo, um efeito em cadeia, dessa vez, refletindo na redução da necessidade hídrica.

Manejo integrado

Trabalhar com bioinsumos não implica em abandonar os insumos químicos para sempre. De fato, ainda há situações onde soluções biológicas não são as mais adequadas. Assim sendo, a utilização de biológicos pode compor um manejo integrado. 

Mentalidade preventiva

Resumidamente, as vantagens de trabalhar com bioinsumos ajudam a entender o crescimento desse mercado. Contudo, também podemos somar a isso uma mudança cultural que vem sendo projetada em todo o mundo. A avidez por resultados imediatos, pouco a pouco dá espaço a um olhar de longo prazo, à ideia de consistência à frente de rapidez. 
Trabalhar com bioinsumos reflete muito essa mentalidade. Trata-se de uma abordagem de tratamento do solo, de prevenção a fatores que possam ameaçar a produção contínua. Quando é necessária uma “ação curativa”, as ferramentas estão à mão, só que a ideia é que essas emergências cedam diante de solos com biotas saudáveis, ideais para o cultivo sustentável, tanto em termos ambientais como de negócio.
Essa é a mentalidade da Agrivalle. Nossa história tem raízes numa relação saudável entre a lavoura, o meio ambiente e a prosperidade do agronegócio. 

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